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Anos-luz: Mara & Amaro

em 26/06/19


Nas últimas décadas, os portugueses apaixonaram-se por Sara e depois por Lara, pelo que quando se deixaram conquistar por Mara, não houve surpresa. Em 2016, Mara chegou a estar no top 20, e mesmo que tenha dado um grande trambolhão, estando agora na 40.ª posição, continua a apresentar bons resultados. E nós, que tantas vezes comentamos aqui que há um défice de nomes delicados masculinos, não estaremos a perder uma boa oportunidade para falar de Amaro? Bem, da primeira vez que aqui escrevi sobre Amaro, terminei o post com a palavra antiquado. O post é de 2012, na altura estávamos todos mais concentrados nos nomes aristocráticos e Mara & Amaro estavam, sem sombra de dúvida, a anos-luz um do outro. E talvez ainda não tenha passado tempo suficiente para que toda a gente consiga ver este nome de outra forma, mas eu acho que tem imenso potencial e já o incluí nas minhas listas de sugestões para os próximos anos

Chiara

em 19/07/18


Apesar de ser mencionado com pouca frequência aqui no blog, Kyara está, desde 2010, entre os cem nomes mais registados em bebés portuguesas e tem vindo a subir de tal forma no ranking que já se encontra no top 50. Em 2016, foi o nome escolhido para 165 meninas mas, nos últimos 18 anos, já se contabilizam mais de 800. Em tempos, ainda questionamos aqui se o uso de Kyara se daria por via de Chiara ou de variantes como Ciara, Kiara ou Keira. Porém, creio que é uma discussão infrutífera e, na minha forma de ver, teremos até que deixar de parte a ideia de que Kyara era uma espécie de opção de recurso, porque parece-me que quem gosta do nome, gosta dele assim. 

De qualquer forma, podemos perguntar-nos se a popularidade de Kyara poderá estimular o uso de Chiara, a variante italiana de Clara. Nos últimos tempos, fui alterando a  minha posição em relação à nossa capacidade de adaptação aos nomes estangeiros. Podemos gostar deles ou preferir nomes mais clássicos [eu continuo a preferir os nomes com mais ligação à minha cultura!], mas o argumento de que ninguém saberá escrever ou pronunciar já não me convence da mesma forma. Os tempos são outros! Assim, já não vou muito na onda de que Chiara pode ser confundido com o verbo chiar, mas gostava de ouvir a vossa opinião! 

Serena

em 13/07/18

Serena Williams e a filha, Alexis Olympia

Em meados de 1998, sofri um acidente que me deixou imobilizada durante todo o verão e enquanto a vida corria lá fora, eu desenvolvi uma paixão imensa pelo ténis, que me acompanha até hoje [e como não há coincidências, já ouviram falar de Frederica Piedade, ex-número 1 portuguesa?]. No circuito masculino, os meus jogadores preferidos foram-se retirando, dando lugar a uma espécie de devoção pelo sérvio Novak Djokovic. Mas, no circuito feminino, a minha jogadora favorita mantém-se a mesma. O seu nome é Serena e é, indiscutivelmente, a melhor jogadora de todos os tempos. 
Há vinte anos, a Serena Williams era o underdog: irmã mais nova da talentosa Vénus, que chegou a número 1 do mundo antes dela. Corpulenta, numa altura em que se idolatrava a esguia Anna Kournikova. Negra, num desporto de privilegiados. Não vou enumerar as conquistas da Serena, mas esta campeã olímpica ganhou, grávida de oito semanas, um dos torneios mais importantes do circuito. Agora, dez meses depois do nascimento da filha Olympia, e depois de um pós-parto complicadíssimo, está na final de Wimbledon, que se disputará amanhã. Não sei se irá ganhar, mas vê-la a lutar pelo título é absolutamente inspirador. Da minha parte, tudo farei para que a minha filha conheça a sua história. E se algum dia tiver outra menina, Serena estará, certamente, na lista para possíveis segundos nomes da bebé! 

Cristóvão

em 15/05/18


No início do mês, alguém questionou a minha opinião sobre o nome Cristóvão, nos Pedidos & Sugestões. À partida, considero-o um nome absolutamente normal, porque convivi com uma pessoa da minha idade que se chamava Cristóvão e isso influencia, como é evidente, a forma como o encaro. Às vezes, até lhe chamavam Cris, o que ainda o normalizava mais, aproximando-o um pouco dos nomes usados nos anos 80. Além disso, Cristóvão é um apelido comum entre a população portuguesa, o que faz com que se ouça com bastante frequência e é indissociável do mítico Cristóvão Colombo, tantas e tantas vezes mencionado ao longo das nossas vidas. Está na lista dos nomes medievais portugueses, que é uma das minhas categorias favoritas. E apesar de remeter visivelmente para Cristo [significa "o que leva Cristo"], isso não me incomoda, até porque gosto de Cristiano... Portanto, não é, de maneira nenhuma, um nome que eu rejeite. Mas também não integra o meu lote de nomes preferidos e, dentro do estilo, inclino-me mais para Estêvão. E quanto à sua usabilidade, creio que está no mesmo patamar de Jerónimo, que é um dos meus favoritos: não é um mau nome, não é desconhecido, mas acho que está um pouco distante dos nomes desta geração. Talvez em demasia! 

Virgínia

em 25/01/18


Hoje assinala-se o 136.º aniversário de nascimento da escritora Virgínia Wolf. Eu gosto bastante de Virgínia e achei que era um bom nome para abordar depois de ontem ter mencionado nomes que remetem para outras coisas. Neste caso, há uma ligação óbvia à palavra virgem - óbvia e incontornável, já que é este o seu significado. Mas sempre que menciono o nome Virgínia há quem fale de ser um nome muito propício a trocadilhos com a palavra vagina, o que, claro!, não é algo que encante particularmente quem está a escolher o nome para uma filha. Porém, isso não foi impedimento para várias famílias portuguesas ao longo do século XX, já que Virgínia era um nome relativamente comum até meados da década de 70 e, como tal, é possível que este seja o nome de avós, mães e tias de quem me está a ler! E eu, que até nem sou nada destas coisas, sou obrigada admitir que este é um daqueles nomes que eu acho que funcionam muito bem numa adulta, mas que talvez seja difícil de gerir para algumas crianças - e daí talvez o baixíssimo número de registos [um] em 2017.  
Ainda assim, é um nome de que gosto mesmo muito - longo, ritmado, com muita personalidade e que poderia ter como diminutivo o meu adorado Gigi. Ou Ginny, como é comum nos EUA. E já que falamos  nisso, sabiam que Virgínia foi o nome escolhido para a primeira bebé nascida entre os colonos ingleses em solo americano? O nome foi escolhido em homenagem à rainha Elizabeth I, a Rainha Virgem, que também está na origem da nomeação do Estado norte-americano da Virgínia. 

[ironicamente ou não, Virginia Johnson foi uma sexologista, pioneira do estudo do Ciclo da resposta sexual humana, cujo trabalho deu origem à série de televisão Masters of Sex]